Terapia Online para Brasileiros no Exterior: Trauma e Abuso Sexual em Homens

Você não precisa contar o que aconteceu para começar.

A gente combina o horário da sessão de acolhimento no seu fuso. Ela é gratuita.

A gente combina o horário da sessão de acolhimento no seu fuso.
Ela é gratuita.

Reinaldo Soeira, psicanalista especializado em trauma de abuso sexual em homens
Psicanálise, Psicologia Analítica e Psicotraumatologia, com Reinaldo Soeira.
Por videochamada, de qualquer país.
Imagem no computador "você não está sozinho" sobre Psicoterapia para Homens Vítimas de Abuso Sexual

Por que fazer terapia em português?

Você resolve a vida inteira na outra língua. Trabalho, banco, médico, discussão no trânsito. E trava quando o assunto é você.

Não é falta de fluência. A língua em que você cresceu chegou antes de você escolher palavra. É nela que estão o apelido que usavam na sua casa, a frase da sua avó, o jeito como aquilo foi dito. Na língua que você aprendeu, a mesma história sai certa, bem contada. E resumida.

Na terapia, o resumo não alcança. O que precisa aparecer costuma estar justamente no detalhe que não tem tradução. Escrevi sobre isso com mais calma em por que a língua materna muda a terapia de quem mora fora.

O que morar fora mexe por dentro?

Morar fora tira de uma vez a rede que segurava sem ser vista. As pessoas, a língua, a piada que ninguém precisava explicar.

Às vezes isso traz só o cansaço da mudança. Às vezes faz voltar o que estava guardado havia muito tempo. Aparece como insônia, irritação, um alarme no corpo que não desliga num lugar onde, em tese, está tudo bem.

E tem a ligação de domingo. Você foi buscar uma vida melhor, e tem gente no Brasil esperando notícia boa. Então por dentro está pesado e, no telefone, está tudo ótimo.

Eu morei fora dois anos. Sei o que é estar longe e estar só ao mesmo tempo, e sentir a frase morrer no meio porque a palavra possível não era a que eu queria dizer.

Quase ninguém me escreve começando pela pergunta que trouxe. Primeiro vêm o fuso, o valor, como funciona. Pode ser assim aqui também. Alguns homens contam tudo na primeira sessão, outros levam meses até tocar no assunto, e alguns nunca precisam contar em detalhes.

Como eu trabalho

Se o trauma é desconexão, o trabalho é reconexão.
E ela precisa acontecer em três camadas ao mesmo tempo. Por isso três abordagens, e não uma.

Psicotraumatologia
o corpo primeiro

O trauma não fica na memória organizada. Fica no sistema nervoso, que continua liberando hormônios de estresse para uma ameaça que já passou.

Sistema nervoso não aprende por argumento. Aprende por experiência repetida. O trabalho aqui é somático e de baixo para cima — do corpo para a mente — para ir ampliando a sua capacidade de lidar com as coisas.

Psicanálise
a voz que ficou para trás

Onde houve violência, houve silêncio. E o silêncio cobra: a dificuldade de dizer não, o medo de decepcionar, a sensação de que a opinião dos outros pesa mais que a sua.

Isso não é o seu jeito de ser. São mecanismos que te mantiveram vivo em uma época em que discordar era perigoso. O trabalho é entender como eles se formaram — e o que estão te atrapalhando hoje, nos seus relacionamentos e nas suas escolhas.

Psicologia Analítica
as partes que ficaram de fora

O trauma fragmenta. Guarda pedaços seus em algum lugar onde parecia mais seguro não sair. E o preço disso costuma ser a anestesia. Aquela sensação de estar assistindo à própria vida de fora, de não sentir prazer em nada, de estar presente sem estar.

A partir de Carl Jung, vamos trabalhando e buscando essas partes de volta. Inclusive as que você aprendeu a chamar de sombra, e que costumam guardar a energia que você mais vai precisar.

Como acontece

Mande uma mensagem

Pelo WhatsApp, para combinar o horário. Se quiser falar um pouco ou tirar dúvidas, pode também.

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A sessão de acolhimento

Uma videochamada pelo WhatsApp, de uns 30 minutos, gratuita e sem compromisso, num horário que funcione no seu fuso. A gente conversa só sobre o que você quiser falar. Eu explico como a terapia funciona e você tira suas dúvidas.

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Se fizer sentido, a gente começa

Combinamos dia, frequência e valor. As sessões também são por videochamada pelo WhatsApp. O horário é acertado olhando os dois relógios, e dá para ajustar quando a sua rotina mudar. Escolha um lugar onde possa falar sem ser ouvido. Fone de ouvido ajuda.

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O que esperar

Duração e frequência

Cada sessão tem 50 minutos. O ritmo mais comum é semanal, porque trabalho com sistema nervoso depende de constância, mas isso se ajusta ao seu momento.

Valores e pagamento

Pode perguntar pelo WhatsApp, que eu te passo. O pagamento é por transferência bancária ou Pix. Se você não tiver conta no Brasil, a gente vê junto o jeito mais simples de enviar de onde você está. Podemos agendar a sessão de acolhimento, conversar e só depois decidir.

Sigilo

O que é dito em sessão fica na sessão, sem registro compartilhado e sem contato com ninguém da sua vida. Isso não depende da minha boa vontade: revelar segredo profissional sem justa causa é crime, pelo artigo 154 do Código Penal.

Quanto tempo dura

Não prometo prazo, e desconfio de quem promete. O que costuma acontecer é o alívio chegar antes da elaboração.

 

O que você vai encontrar aqui

Você decide o ritmo

O abuso tirou de você o controle sobre o que acontecia com o seu corpo. Aqui isso não se repete. Você fala do que quiser, quando quiser. O que você ainda não consegue falar continua esperando o tempo que precisar. Nada avança sem você.

Suas reações fazem sentido aqui

Travar no meio de uma frase. Chorar durante a sessão. A raiva que sobe sem aviso. Você provavelmente já se cobrou por tudo isso. Aqui não precisa. Essas reações acontecem. Algumas te protegeram por muito tempo, e aqui são tratadas como o que são, sem pressão. Porque o importante é você ter um espaço seguro para ser você.

O corpo entra, não só a conversa

Muitos homens chegam depois de anos de terapia com a mesma frase: entendi tudo e continua igual. A ansiedade não passou, o sono não regulou, a desconfiança não diminuiu. Isso acontece, mas algo pode ser feito. O que eu faço trabalha também o corpo, que é onde a marca do abuso realmente ficou.

Perguntas que aparecem antes de marcar

Não. O trabalho começa pelo que aperta o peito hoje, não pelo passado. Nas primeiras sessões o foco é o presente: o alarme que não desliga, a insônia, a irritabilidade. Você escolhe o que traz e quando traz, e nada é revelado antes de você estar pronto.

A gente combina olhando os dois relógios. Eu atendo da tarde até a noite, no horário de Brasília. Se não encaixar na sua rotina, a gente conversa. Quando o país onde você mora entra ou sai do horário de verão, a diferença muda uma hora, e a gente confere junto.

Por transferência bancária ou Pix. Se você não tiver conta no Brasil, dá para enviar uma transferência de fora, e a gente vê junto qual é o jeito mais simples para você. Isso se acerta na conversa, antes de começar.

Pode. Eu atendo daqui, por videochamada, e você fala de onde estiver. Sou psicanalista, com formação em Psicotraumatologia e extensão universitária em Psicologia Analítica, e sigo como referência o Código de Ética Profissional do Psicólogo. O sigilo é o mesmo de qualquer atendimento no Brasil.

Fluência e o que a palavra faz no corpo são coisas diferentes. Dá para ter vocabulário perfeito e, ainda assim, sentir menos na segunda língua. E falar numa língua aprendida exige ir editando a frase enquanto fala, o que atrapalha justamente a fala solta de que a terapia depende.

Não. Você troca de endereço e a sessão continua com quem já conhece a sua história. Na terapia presencial, quem se muda costuma recomeçar do zero com outra pessoa.

Funciona, e aqui há uma razão a mais. O formato fechado de um consultório, duas pessoas em segredo, pode ecoar o próprio ambiente em que o abuso costuma acontecer. No online você não entra num espaço que não controla: a sessão acontece onde você já se sente seguro, do seu jeito. Não resolve tudo, mas para um sistema nervoso com histórico de trauma faz diferença concreta.

Conteúdo da sanfona

Ele não começa pelo passado. A Psicotraumatologia tem uma regra que não é negociável, que é não retraumatizar, e falar de dores profundas sem preparar o sistema nervoso antes é como operar sem anestesia. Na prática, o processo se apoia em dois pilares. O primeiro é a titulação: trabalhar em doses pequenas, menores do que você imagina que seriam necessárias, porque cada dose precisa ser absorvida antes da próxima. Quem dita o ritmo é o corpo, não o cronograma. O segundo é a retomada da agência: o abuso retirou o seu poder de escolha, e uma terapia que pressiona ou decide o ritmo por você só repete esse padrão num lugar diferente. Por isso as primeiras sessões são de construção de recursos e de regulação. Isso não é preliminar. É o trabalho.

Um terapeuta preparado fala do tema sem eufemismo e sem excesso clínico, e entende que o congelamento foi proteção, que a resposta física durante o abuso não é consentimento, e que o abuso cometido por mulher é real. Na primeira conversa, repare: você consegue perguntar? As respostas fazem sentido? Pressão para revelar detalhes antes da hora é motivo para se afastar.

Ajuda, mas não é o que decide. A experiência direta traz um reconhecimento que não tem substituto, e no meu caso sou eu mesmo um sobrevivente de abuso sexual na infância. Mas o que mais importa é a qualidade da presença e a especialização: um terapeuta que se dedicou a aprender e a ouvir sobreviventes pode criar o mesmo espaço seguro.

Nada que exija estar pronto. Você não precisa saber o que vai dizer, não precisa ter a história organizada, não precisa ter certeza de que vai conseguir falar sobre o que aconteceu. Dá para chegar exatamente como você está, com o medo e com a dúvida, e isso não é obstáculo: é o ponto de partida. E se o que assusta é a ideia de que, uma vez dentro, não dá para sair, vale lembrar ao corpo que você tem escolha. Pode pausar, pode encerrar a sessão, pode decidir que esta semana não quer continuar.

Você não precisa estar pronto. Não precisa saber o que dizer, nem por onde começar.
Pode ser só sobre como está sendo hoje. Estou por aqui.

Se você estiver em crise agora, não fique sozinho com isso. Ligue para o número de emergência do país onde você está: 112 na União Europeia e no Reino Unido, 911 nos Estados Unidos e no Canadá.