A gente combina o horário da sessão de acolhimento, que é gratuita.
A gente combina o horário da sessão de acolhimento, que é gratuita.


A maior parte dos homens que chega aqui já pensou em terapia antes. E parou na mesma situação: sentar na frente de alguém e ter que contar tudo, do começo ao fim, logo de cara.
Mas não é assim que funciona.
“O trauma não é o que aconteceu com você, é o que aconteceu dentro de você como resultado.” — Gabor Maté
O que ficou não foi o evento, foi a desconexão. Do próprio corpo, das próprias emoções, da confiança de que é seguro estar no mundo.
Ninguém volta no tempo para desfazer o que aconteceu. Mas o que ficou vivo dentro de você está aqui, agora, e o que está aqui pode ser tocado. E isso é uma boa notícia.
Por isso o primeiro trabalho não é investigar o passado. É devolver alguma segurança ao corpo que ainda não sabe que acabou — aliviar a hipervigilância, o maxilar travado, a insônia, o cansaço que dormir não resolve.
Alguns homens chegam contando tudo na primeira sessão. Outros levam meses até tocar no assunto, e alguns nunca precisam contar em detalhes. E nenhum dos três está fazendo certo ou errado.
Se o trauma é desconexão, o trabalho é reconexão.
E ela precisa acontecer em três camadas ao mesmo tempo. Por isso três abordagens, e não uma.
O trauma não fica na memória organizada. Fica no sistema nervoso, que continua liberando hormônios de estresse para uma ameaça que já passou.
Sistema nervoso não aprende por argumento. Aprende por experiência repetida. O trabalho aqui é somático e de baixo para cima — do corpo para a mente — para ir ampliando a sua capacidade de lidar com as coisas.
Onde houve violência, houve silêncio. E o silêncio cobra: a dificuldade de dizer não, o medo de decepcionar, a sensação de que a opinião dos outros pesa mais que a sua.
Isso não é o seu jeito de ser. São mecanismos que te mantiveram vivo em uma época em que discordar era perigoso. O trabalho é entender como eles se formaram — e o que estão te atrapalhando hoje, nos seus relacionamentos e nas suas escolhas.
O trauma fragmenta. Guarda pedaços seus em algum lugar onde parecia mais seguro não sair. E o preço disso costuma ser a anestesia. Aquela sensação de estar assistindo à própria vida de fora, de não sentir prazer em nada, de estar presente sem estar.
A partir de Carl Jung, vamos trabalhando e buscando essas partes de volta. Inclusive as que você aprendeu a chamar de sombra, e que costumam guardar a energia que você mais vai precisar.
Pelo WhatsApp, para combinar o horário. Se quiser falar um pouco ou tirar dúvidas, pode também.
Uma videochamada pelo WhatsApp, de uns 30 minutos, gratuita e sem compromisso. A gente conversa só sobre o que você quiser falar. Eu explico como a terapia funciona e você tira suas dúvidas.
Combinamos dia, frequência e valor. As sessões também são por videochamada pelo WhatsApp. Atendo no Brasil e no exterior, e o horário se ajusta ao seu fuso. Escolha um lugar onde possa falar sem ser ouvido. Fone de ouvido ajuda.
Duração e frequência
Cada sessão tem 50 minutos. O ritmo mais comum é semanal, porque trabalho com sistema nervoso depende de constância, mas isso se ajusta ao seu momento.
Valores
Pode perguntar pelo WhatsApp, que eu te passo. Podemos agendar a sessão de acolhimento, conversar e só depois decidir. Às vezes essa conversa, sozinha, já ajuda.
Sigilo
O que é dito em sessão fica na sessão, sem registro compartilhado e sem contato com ninguém da sua vida. Isso não depende da minha boa vontade: revelar segredo profissional sem justa causa é crime, pelo artigo 154 do Código Penal.
Quanto tempo dura
Não prometo prazo, e desconfio de quem promete. O que costuma acontecer é o alívio chegar antes da elaboração.
Você decide o ritmo
O abuso tirou de você o controle sobre o que acontecia com o seu corpo. Aqui isso não se repete. Você fala do que quiser, quando quiser. O que você ainda não consegue falar continua esperando o tempo que precisar. Nada avança sem você.
Suas reações fazem sentido aqui
Travar no meio de uma frase. Chorar durante a sessão. A raiva que sobe sem aviso. Você provavelmente já se cobrou por tudo isso. Aqui não precisa. Essas reações acontecem. Algumas te protegeram por muito tempo, e aqui são tratadas como o que são, sem pressão. Porque o importante é você ter um espaço seguro para ser você.
O corpo entra, não só a conversa
Muitos homens chegam depois de anos de terapia com a mesma frase: entendi tudo e continua igual. A ansiedade não passou, o sono não regulou, a desconfiança não diminuiu. Isso acontece, mas algo pode ser feito. O que eu faço trabalha também o corpo, que é onde a marca do abuso realmente ficou.
Gay, bissexual ou hétero
Atendo homens gays, bissexuais e héteros. O trabalho é o mesmo para todos, porque o que importa aqui é o que aconteceu com você.
Muitos homens chegam com uma pergunta que nunca disseram em voz alta: se o abuso tem a ver com a sua orientação sexual. Não tem. O abuso não aconteceu por causa da sua orientação, e a sua orientação não é consequência dele.
Se você ainda não sabe como se nomear, também é bem-vindo.
Não. O trabalho começa pelo que aperta o peito hoje, não pelo passado. Nas primeiras sessões o foco é o presente: o alarme que não desliga, a insônia, a irritabilidade. Você escolhe o que traz e quando traz, e nada é revelado antes de você estar pronto.
Ele não começa pelo passado. A Psicotraumatologia tem uma regra que não é negociável, que é não retraumatizar, e falar de dores profundas sem preparar o sistema nervoso antes é como operar sem anestesia. Na prática, o processo se apoia em dois pilares. O primeiro é a titulação: trabalhar em doses pequenas, menores do que você imagina que seriam necessárias, porque cada dose precisa ser absorvida antes da próxima. Quem dita o ritmo é o corpo, não o cronograma. O segundo é a retomada da agência: o abuso retirou o seu poder de escolha, e uma terapia que pressiona ou decide o ritmo por você só repete esse padrão num lugar diferente. Por isso as primeiras sessões são de construção de recursos e de regulação. Isso não é preliminar. É o trabalho.
Funciona, e aqui há uma razão a mais. O formato fechado de um consultório, duas pessoas em segredo, pode ecoar o próprio ambiente em que o abuso costuma acontecer. No online você não entra num espaço que não controla: a sessão acontece onde você já se sente seguro, do seu jeito. Não resolve tudo, mas para um sistema nervoso com histórico de trauma faz diferença concreta.
Um terapeuta preparado fala do tema sem eufemismo e sem excesso clínico, e entende que o congelamento foi proteção, que a resposta física durante o abuso não é consentimento, e que o abuso cometido por mulher é real. Na primeira conversa, repare: você consegue perguntar? As respostas fazem sentido? Pressão para revelar detalhes antes da hora é motivo para se afastar.
Ajuda, mas não é o que decide. A experiência direta traz um reconhecimento que não tem substituto, e no meu caso sou eu mesmo um sobrevivente de abuso sexual na infância. Mas o que mais importa é a qualidade da presença e a especialização: um terapeuta que se dedicou a aprender e a ouvir sobreviventes pode criar o mesmo espaço seguro.
Nada que exija estar pronto. Você não precisa saber o que vai dizer, não precisa ter a história organizada, não precisa ter certeza de que vai conseguir falar sobre o que aconteceu. Dá para chegar exatamente como você está, com o medo e com a dúvida, e isso não é obstáculo: é o ponto de partida. E se o que assusta é a ideia de que, uma vez dentro, não dá para sair, vale lembrar ao corpo que você tem escolha. Pode pausar, pode encerrar a sessão, pode decidir que esta semana não quer continuar.
Você não precisa estar pronto. Não precisa saber o que dizer, nem por onde começar.
Pode ser só sobre como está sendo hoje. Estou por aqui.
Se você estiver em crise ou precisando de apoio agora, não fique sozinho com isso. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende de graça pelo telefone 188, 24 horas, e também pelo chat no site do CVV.
Se uma criança ou um adolescente pode estar em risco agora, o Disque 100 recebe denúncias 24 horas, de graça, e você não precisa se identificar.

Psicoterapia especializada para homens sobreviventes de abuso sexual e trauma na infância.
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Reinaldo Soeira | Psicanálise e Trauma Masculino
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